Ansiedade
da separação nos animais
Entrevista
exclusiva com
Dra. Martha Follain
Explique o que é, o que caracteriza
a ansiedade da separação
nos animais
Ansiedade de separação
são os comportamentos destrutivos
que o cão exibe quando deixado
sozinho. Esses comportamentos inadequados
são uma resposta ao estresse
pela separação da pessoa
ou pessoas com as quais o animal tem
laços afetivos (em filhotes
é normal morder objetos, etc.).
O animal não consegue ficar
só – na ausência
do proprietário, angustia-se
e se torna destrutivo (rói
portas e móveis, sapatos, etc..)
Quando
filhote, após a separação
da mãe e dos irmãos
de ninhada, terá início
o período de socialização
(entre 2 e 4 meses), no qual o animal
se ligará fortemente ao dono.
Porém, quando um cão
fica dependente demais, poderá
desenvolver alterações
comportamentais associadas à
separação. Roer, cavar,
lamber, latir muito, urinar pela casa
toda, comer fezes (coprofagia), arrancar
a pele (síndrome de lambedura),
coçar-se muito, auto-mutilação,
hiperatividade, etc., são formas
de aliviar a tensão e o estresse
que ele sente.
A
ansiedade de separação
é um distúrbio compulsivo.
Esse problema é um problema
da atualidade,
por quê?
Os cães são animais
orientados para uma vida em grupo,
desde seus ancestrais, os lobos. Assim,
tendem a demonstrar estresse e frustração
quando deixados sozinhos. Muitas vezes,
o cão fica sozinho por 8, 12
horas, sem a companhia de outro cão
ou de um ser humano.
A
criação comercial, faz
com que cães e gatos sejam
tratados como se não tivessem
valor inerente, mas sim um valor comercial
(são considerados mercadorias
pelos humanos e só têm
valor enquanto satisfazem interesses
econômicos ou estéticos
dos humanos), além de serem
privados de todas as suas interações
naturais com membros da mesma espécie,
de conviver em bando, e a mãe
é impedida de ensinar os seus
filhotes. Os filhotes irão
depois ser vendidos como mercadorias
e muitas vezes trancados em apartamentos
ou em quintais com correntes, impedidos
de procurar os nutrientes (não
só biológicos, mas psicológicos
também) que realizariam enquanto
indivíduos de determinada espécie.
Psicologicamente, isto funciona como
uma violência que na maioria
das vezes, leva estes indivíduos
a terem perturbações,
estresse, pânico e tédio.
Cães
e gatos evoluíram para animais
de estimação e sua relação
com o ser humano tornou-se tão
complexa que, ao entrar para uma família,
ele é capaz de provocar alterações
no comportamento de todos os seus
membros, e passa a compartilhar hábitos
humanos, e, muitas vezes, adquire
o status de uma pessoa.
O
contato com o ser humano contribui
para que os animais sofram estados
patológicos da mente, os quais
poderão ser a causa primária
de doenças ou impedirem a recuperação
da saúde.
Os
animais, devido ao processo de domesticação,
deixam de viver sua verdadeira biologia,
alterando hábitos de convívio
com outros indivíduos da mesma
espécie: caçar para
comer, atividades reprodutivas, etc..
Muitas vezes, os animais apresentam
distúrbios e transtornos, sem
um motivo aparente:
-
automutilação em diversos
animais – sugere o tédio
do cativeiro; em aves, além
da automutilação (arrancar
as penas), a oscilação
da cabeça decorrente de estresse;
-
destruir objetos, em cães e
gatos, sugerindo a falta de atividades
físicas naturais das espécies;
-
mamar em si mesmo, em roupas, etc.,
decorrente do desmame precoce;
-
compulsão pela limpeza corporal
– lambeduras excessivas, provenientes
do estresse de viver sozinho –
estresse, frustração
e tédio podem levar a compulsões;
-
coprofagia – pode estar ligada
à alimentação
inadequada, solidão, competição
com outros animais;
-
hiperfagia – comer demais –
animais em confinamento podem desenvolver
esse comportamento, como consequência
da ansiedade;
-
ingestão excessiva de água;
-
apetite pervertido – ingerir
sacos plásticos, tecidos, metais,
etc.. – pode estar ligado a
transtornos nutricionais e à
solidão, competição,
tédio;
-
morder o flanco e o rabo, principalmente
em cães, decorrente de frustração,
tédio; etc...
Como os florais podem ajudar?
Existe alguma dica para os nossos
leitores?
Os
florais não são usados
para doenças físicas
mas, para os estados patológicos
da mente, os quais, para Edward Bach,
impedem o animal de recuperar a saúde,
além de serem eles mesmos,
causas primárias de doenças.
Os florais atuam sobre a desarmonia
profunda do animal e, assim fazendo,
formam a base para a recuperação
dos sintomas físicos.
E,
essa desarmonia na saúde dos
animais acontece porque, a cada dia,
as pessoas se afeiçoam mais
a seus animais de estimação,
por inúmeros motivos. Além
disso, os animais também se
afeiçoam mais intensamente
a seus proprietários e são
capazes de sentir ciúmes, medos,
tristeza, saudade, etc.
Florais
de Bach indicados:
Rescue,
Star of Bethlehem, Honeysuckle, White
chestnut, etc., devidamente recomendados
pelo Terapeuta Floral.
O
que pode acontecer com um animal que
não é tratado?
O
animal pode caminhar para uma doença
física, muitas vezes, de difícil
tratamento. Portanto, se o animal
apresentar ansiedade de separação,
deve-se:
-
consultar o veterinário;
- consultar o terapeuta floral;
- exercitar o animal;
- evitar que o animal fique sozinho.
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