EXEMPLO
A SER SEGUIDO
Por João
O. Salvador
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| foto:
Gustavo Alves |
“Nem
todo mundo que entra na USP tem um futuro brilhante”.
Com esse slogan e uma foto de um cachorro em outdoor, a
universidade do campus da USP, capital, lançou há pouco,
uma campanha para diminuir o abandono de cães e
gatos neste local. A idéia é estimular o
debate sobre o assunto e fazer com que as pessoas denunciem
casos de abandono e maus-tratos, além de estimular
a adoção dos que estão alojados em
um laboratório veterinário dentro da prefeitura
da Cidade Universitária, no campus do Butantã – zona
Oeste.
Folders e cartazes foram distribuídos, chamando a atenção
da população sobre o conceito de posse responsável e do
controle de natalidade dos animais domésticos, que procriam de maneira
exponencial. Os CCZs (Centro de Controle de Zoonoses) só não
estão abarrotados porque os sacrificam, de uma maneira geral, sem chance,
sem piedade, de forma muito cruel, abominável.
O ponto central dessa questão é o amor à vida, pois ela
não deve ter o homem como exclusividade, e esse abandono significa uma
falta de educação, como pensa a professora Julia, da Faculdade
de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ), que a tenho, dentro
dos meus princípios profissionais e éticos, mesmo sem conhecê-la
pessoalmente, uma assumidade em pessoa, que divide até umas bolachinhas
com os bichinhos esfomeados. Uma grande lição aos zootécnicos
em formação, ou aos que precisam de uma reformulação
de conceitos.
As tristes observações no campus de gatos enforcados, com olhos
furados, queimados e cães de pernas fraturadas, esfaqueados, ou feridos
com tiros de borracha, sensibilizaram a equipe de Julia a tomar esta coerente
decisão.
Claro que essa situação não se restringe apenas no campus
da capital. Nos campi do interior, vira-e-mexe, encontram-se novos bichos (não
alunos), principalmente perto de restaurantes universitários, tímidos,
medrosos, esqueléticos em busca de alimentos. Os gatos são os
mais abandonados, porém, permanecem mais discretos, de acordo com seu
astuto temperamento.
Nesses locais de ensino, de educação, cuja função é formar
cidadãos conscientes, que, dentre os quais, temos o atual ministro da
agricultura do governo Lula, Roberto Rodrigues, formado em engenharia agronômica,
na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), em Piracicaba, existem
os que chutam os cães, destroem casinhas de gatos, feitas com carinhos
pelos voluntários, que cuidam com muito amor desses animaizinhos, quando
não os encontram envenenados, praticamente destroçados, com seus
miados tristes, agonizantes, desesperados pela dor, por passar dias e mais
dias de sofrimento.
Já se constatou muitos relatos de maus-tratos nesses locais, e o símbolo
disso, na Esalq, é a cadela Xuxa, dócil, amorosa, que depois
de trucidada, com arcada dentária superior cravada no queixo, com a
coluna fraturada pelas pauladas desferidas por um insano, cruel, miúdo
de amor, de sensibilidade e de caráter, ainda chegou se arrastando ao
seu reduto, quando seu algoz pensava ter concretizado seu intento. Por exercer
um cargo de confiança, calou a boca de quem sabia, mas não calou
a voz de sua consciência, que, embora esteja em estado de profunda latência,
movido pela sua própria ignorância, mais tarde irá prestar
contas de seus atos à justiça divina.
A campanha desse grupo do campus da capital, com o apoio do Fundo de Cultura
e Extensão Universitária, é digna de elogios e deve ser
estendida a todas as universidades do país, contribuindo para aumentar
a consciência das pessoas para que não abandonem, não descartem
esses pobrezinhos como se fossem meros objetos.
Que o exemplo, inclusive, de alguns veterinários da USP, sirva para
que os veterinários de todos os locais do país ajam com presteza,
com ética, através da mídia, e ajudem no combate às
barbáries cometidas contra os animais, prestando um grande benefício
ao colaborarem com a esterilização, e, principalmente, ao se
pronunciarem sobre tantas inverdades que os leigos, sem papas na língua,
tentam colocar na cabeça dos mais ignorantes, ainda, a respeito de doenças
transmitidas pelos animais, do gato preto que dá azar, e de outras crenças
absurdas que somente fazem aumentar o abandono dos pobrezinhos.
João
O. Salvador
Biólogo da USP (Universidade de São
Paulo) Colunista do site GREEPET, colaborador do Jornal de
Piracicaba,
Gazeta de Piracicaba e Tribuna Piracicabana
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