ABORTO
PROVOCADO EM ANIMAIS?
Por
Kátia Moema Oliveira Rosa Sampaio

foto: Fotos da Hora |
Como Médica Veterinária, tenho pleno conhecimento
sobre o que ocorre fisiologicamente com uma fêmea
canina ou felina que se encontra gestante, assim como
dos requisitos necessários para que a mesma tenha
uma boa gestação, sejam os anatômico-fisiológicos,
nutricionais ou emocionais.
O que ocorre, na maioria das vezes, é a falta
de responsabilidade por parte do proprietário
com relação à vida sexual de seus
animais e ao controle populacional dos animais de companhia,
seja por falta de conhecimento (principalmente nas
classes sociais de baixa renda) ou descaso.
A natureza fala sempre mais alto, e sempre que uma
fêmea
se encontrar no cio e receptiva ao ato sexual, não
havendo nenhum problema reprodutivo específico,
o resultado será uma gestação promissora
e feliz. Para uma fêmea e seus filhotes saudáveis,
não há nada de mal nesse momento sublime
da vida.
Entretanto, algumas situações requerem
uma atenção especial por parte do proprietário
e do médico veterinário que acompanha
seus animais.
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Gestações de risco (fetos de tamanho
desproporcional à mãe, fêmeas hipertensas,
com doenças crônicas, deficientes ou submetidas
a tratamentos agressivos) necessitam ser avaliadas
com responsabilidade e carinho.
Alguns proprietários
não têm condições financeiras
ou emocionais para enfrentar o caminho árduo de
uma gestação de risco, e algumas vezes
querem “se livrar do problema”. Nesse caso
cabe uma reflexão com o veterinário para
que a decisão seja a mais coerente.
O acompanhamento
médico durante todo o período, incluindo
exames pré-natais completos, e os cuidados essenciais
como alimentação, higiene e carinho podem
garantir uma gestação segura, tanto para
a mãe quanto para os filhotes.
No caso em que o proprietário não pode
ou não quer arcar com as despesas que estão
atreladas a esse tipo de gestação, fica
bem complicado. Como responsável pelo animal ele
deveria ter a obrigação e o compromisso
de zelar por essas vidas, mas se ele irresponsavelmente
se nega, pensando que um aborto provocado resolveria
o seu problema, a pobre mamãe está em maus
lençóis.
Como não há regulamentação
que puna esse tipo de atitude, ele está livre
para procurar um profissional que aceite realizar esse
procedimento. No caso de uma gestação de
risco, é possível que encontre, porém
em caso de gestação normal acredito que
seja mais difícil.
Conheço muitos colegas
que terminaram adotando filhotes, ou até mesmo
mamães gestantes para evitar desfechos desse
tipo.
Mas é claro que isso não resolve o problema
como um todo, pois a origem de tudo é a falta
de consciência.
Novos casos continuarão
a acontecer se não houver entendimento por parte
dos seres humanos que há necessidade de controle
populacional dos animais de companhia, e que ter um bichano
ável pelo mesmo.
Kátia Moema Sampaio
matéria publicada no site Florais
e Cia
www.floraisecia.com.br
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