Muitos
Adestradores (as) são viciados(as)!
por Dennis
Martin

foto: Elias Iensen |
Pois é meu
amigo(a), imagino que nunca imaginasse que fosse escutar
esta noticia! Mas é uma verdade. O pior talvez seja
saber que este fenômeno não existe somente
aqui no Brasil, tem casos em outros lugares como na Inglaterra,
na França, na Espanha, no continente Americano todo,
na Austrália, na Argentina, no Chile, para citar
apenas alguns. Mas fique tranqüilo este vicio, diferentemente
de alguns outros é fácil de se identificar.
A auto-denuncia ocorre quando o profissional comparece
ao trabalho munido de um ´´tupperware´´ que
ele(a) retira com tudo cuidado da mochila, ou com bolsos
excessivamente cheios, (nota-se o volume), ou que tenha
um patrocínio de algum fabricante.
Agora
se segura (!) porque o vicio destes adestradores é transmissível
para outras pessoas que não são adestradores,
e sim, cães também!. Gente é uma tristeza!
O
nome que estas pessoas dão ao seu trabalho é ´´método
de adestramento sem castigo´´ , ou ´´método
a base de reforço positivo´´ e é ali
que reside o vicio, pois estes termos, (note bem que nem
sempre) descrevem um trabalho 100% a base de comida.
O
que me incomoda sobre isto, não é o uso
da comida propriamente dita. É mais o fato que eu
vivo escutando de clientes que o ´´Toto´´ só atende
a um comando se tem comida sendo oferecido, se não,
nem sinal de fazer o comando, e mais, ignora o dono completamente.
O que aconteceu no adestramento deste cão? Ele no
popular foi ´´subornado´´. Ele que,
entre outras formas de aprendizagem, aprendeu que para ele
conseguir comida especial (petisco) basta ´´pagar
um pequeno preço´´ que será seu!
Não acontece neste processo qualquer relação
com o dono, é uma reação direta de causa
e efeito, ´´Me mostre algo bom e te agradarei
momentaneamente em troca do pagamento da propina!´´ A
relação dele é somente com a comida.
É inegável que comida pode ser um grande motivador
para se ganhar a atenção do cão. Mas
sendo assim acho que não se deve perder de vista o
objetivo do uso da comida ou seja só auxiliar no propósito
de ganhar a atenção. O que normalmente acontece, é que
a comida passa a fazer parte definitiva do adestramento do
cão, e mesmo da vida do cão, e por conseqüência
da vida dos donos.
O
que muitos adestradores fazem, é ensinar o cão
toda obediência básica (Senta, Deita, Vem, Fica
e Andar Junto) usando comida, e não se dão
o trabalho de efetuar a transição deste ensino
para eliminar a comida substituindo por comandos de mão,
ou só de voz somente, ou usando brinquedos para que
o dono possa então construir a sua relação
com seu cão sem o ´´suborno´´.
Ou seja, muitos ao conseguir (e é muito fácil!)
que um cão responda aos comandos básicos com
comida, definem o cão como adestrado, e é contra
esta posição que eu me coloco aqui.
Gostaria
de ver mais adestradores completando seu trabalho, integrando
o cão para um convívio de parceria
com o dono, não apenas como se fosse um aparelho doméstico
que funciona com um apertar de um botão.
O
dono que depende exclusivamente de estar munido de comida
para
conseguir com que seu cão realize qualquer tarefa,
não tem um cão adestrado, tem um cão
viciado, e por conseqüência ele é também.
Este cenário faz com que uma qualidade de vida que
poderia existir de ambas as partes é perdida.
Então vamos evitar o vicio da comida e vamos oferecer
aos nossos clientes de 2 pernas e 4 patas uma qualidade de
vida melhor. Afinal quando nos contratam com certeza é o
que buscam nos nossos serviços!
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Dennis
Martin - AMBIPDT |
Colunista
do site GREEPET.
Royal Pet Mania - Escola de Adestramento.
Analista Comportamental de Cães, com formação
em Educação Canina na Inglaterra.
Membro do British Institute of Professional Dog Trainers da Inglaterra. www.dennismartin.com.br |
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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