CRIAÇÃO
DE CÃES AGRESSIVOS
por Dennis
Martin

foto: Jose Mauricio Batista de Almeida |
Hoje
me fizeram uma pergunta sobre criação de
cães agressivos.
A pergunta foi: "Porque os proprietários
de cães de raças agressivas continuam criando
apesar de tudo que sai na mídia a respeito deles
(agressões, ataques, morte)?"
A resposta
simples a pergunta feita é: Porque estes proprietários
podem fazer isto, e aqui no Brasil não há conseqüências
maiores em assim fazer. Nosso problema, como em tantas
outras áreas da vida Brasileira é cultural
e educacional.
Não faz tanto tempo assim, quando
comparado com os paises de primeiro mundo, que se tem aqui
no Brasil a cultura de possuir cães de companhia.
Nem todos os proprietários perceberam a diferença
entre ser um dono que pratica a posse responsável
e um dono que apenas tem um cão.
Mas talvez para
entender melhor porque estes proprietários existem
seja necessário se considerar de onde vem o habito
e a cultura destes proprietários, e olhar os cães
que possuíam antigamente, e os cães que possuem
hoje.
O Pitbull (para efeito de exemplo aqui) de hoje,
substituiu aquele vira-lata bravo de antigamente que era
guarda no quintal. O vira-lata não necessitava de
maiores cuidados, pois era (e ate hoje geneticamente ainda é)
muito mais robusto do que cães de raça são.
Isto
fez com que os tipos de proprietários destes
cães também nunca fossem exigidos a considerar
o bem estar dele, (bem estar sendo, adestramento, respeito
sadio, limites, cuidados veterinários etc.) bastando
dar água e comida a ele para garantir a sua sobrevivência.
Mais
importante, foi que isto também fez com que
não houvesse uma preocupação por parte
dos donos a dar uma educação formal para
estes vira-latas, bastando para eles um básico de
respeito da parte do cão com os donos e pouco mais.
Este respeito demonstrado pelo vira-lata era oriundo de
uma dominância imposta fisicamente pelos proprietários.
O
controle do comportamento daqueles cães se dava
quando o proprietário estivesse presente, e quando
não o cão teria o comportamento de guarda,
não tendo limites para as suas ações
durante a ausência do dono.
Claro que nem todos os
vira-latas eram ou são assim, mas isto normalmente é resultado
casual de como virem ao mundo e as influencias que sofreram
neste período da vida deles. Esta tendência
de posse agora se repete com os cães de hoje que
não são vira-latas.
O problema sendo que
são animais diferentes criados originalmente para
fins e com objetivos diferentes. A grande diferença
comportamental entre o vira-lata de guarda e o Pitbull
são seus genes e a razão d´etre´ de
cada um.
O vira-lata tem um forte instinto de sobrevivência
e o grande motivador atrás de ser bravo, por exemplo
na guarda de uma propriedade, era a proteção
de um território, e daí um lugar seguro de
viver ou para conseguir comida. Haja visto que é incomum
se ver uma vira-lata bravo quando solto na rua. Pelo contrario.
Este
sabe que se esta "jogado na vida" precisa é se
cuidar e vai lutar apenas para obter/garantir recursos
para garantir a sua sobrevivência. Prefere fugir
de situações de insegurança, a enfrentar
o perigo. Já o Pitbull foi criado para competir
agressivamente. O que eles têm de valente eles tem
de bruto, a não ser que forem devidamente educados,
o que também quer dizer não serem encorajados
a deixar vir a tona seus instintos naturais envolvendo
comportamento competitivo.
Daí que de forma nenhuma
todo Pitbull tem que ser bravo e incontrolável.
Eles são cães ótimos, amáveis,
e muito brincalhões nas mãos de um dono consciente,
mas quando eles estão nas mãos de donos possuidores
da cultura de proprietário do vira-lata de antigamente,
eles são perigosos. Daí o problema não é criar
Pitbull, Dobermann, Rottweiller, Bull Mastim etc. o problema é a
mentalidade e a ignorância de quem cria.
A pergunta
deveria ser, não a respeito dos cães, e sim
a psicologia dos donos, modificando a pergunta para "Porque
donos que possuem cães mal criados (criados de forma
errada) não são devidamente investigados
e quando necessário enquadrados em leis severas
com penas duras e implacáveis e porque não
há neste pais uma campanha a nível governamental
para orientar e educar a população neste
tema?".
Acho que já sabemos porque, mas como
sou adestrador e não político, deixarei para
vocês responderem.
Finalmente, e para demonstrar
como este tema é complexo e de difícil solução,
recentemente, a questão apenas de algumas semanas,
na Inglaterra, um pais já com uma tradição
de dezenas de anos na posse de cães de companhia,
houveram ataques de cães identificados como sendo ´tipo
Pitbull´ com todas as conseqüências que
presenciamos aqui no Brasil. Mas lá a questão é outra,
estes cães são criados (ilegalmente, pois
existem leis) e usados para brigas ou rinhas.
O governo
Inglês optou por banir estas raças lá,
achando talvez que administrar criadores seria muito mais
difícil. Pessoalmente acho que não é por
ai, mesmo porque o fato que foram banidos não eliminou
o problema com certas raças de cães. Um assunto
talvez para outra matéria.
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Dennis
Martin - AMBIPDT |
Colunista
do site GREEPET.
Royal Pet Mania - Escola de Adestramento.
Analista Comportamental de Cães, com formação
em Educação Canina na Inglaterra.
Membro do British Institute of Professional Dog Trainers da Inglaterra. www.dennismartin.com.br |
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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