ANTROPOMORFISMO
Por
Dra. Martha Follain
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| foto:
Rodrigo Bueno Santa Maria |
“O
cão não é ‘quase humano’ e
não conheço maior insulto à espécie
canina do que descrevê-la de tal maneira.” -
John Holmes.
Antropomorfismo vem de duas palavras gregas: “anthropos” (homem)
e “morphe” (forma). O antropomorfismo é a
associação de atitudes animais com posturas humanas.
É
a
tendência a interpretar como “humano” o comportamento
animal, projetando características pessoais, sentimentos,
pensamentos e estados de espírito. Por exemplo, imaginar
que seu gato urinou fora da bandeja sanitária só para “vingar-se”.
Diversas mitologias e religiões antigas fazem referência
aos animais e às figuras antropomórficas como modo
de representar seus deuses – a civilização
egípcia, por exemplo, cujos deuses possuíam cabeças
de animais e corpos humanos: Hórus, o deus-falcão
(o sol nascente); Anúbis, o deus-chacal (mediador entre
o céu e a terra); Hator, a deusa-vaca (deusa da vaidade);
Tueris, a deusa-hipopótamo (protetora das gestantes);
Bastet,a deusa-gata (deusa da fecundidade), etc.
A parcela humana desses deuses, possibilitava que possuíssem
sentimentos que os egípcios não acreditavam existir
entre os animais como ódio, inveja, etc. e até o
amor. Já a porção animal concedia a eles
características como a esperteza, sagacidade, capacidade
de proteção contra espíritos malignos, altivez,
etc.
O antropomorfismo tem sua origem no antropocentrismo, concepção
filosófica que faz o homem o centro do Universo, em cuja órbita
gravitam os demais seres, em condição subalterna.
É a
consideração do homem como eixo principal de um
determinado sistema - palavra híbrida de composição
greco-latina: “anthropos”, do grego (homem) e “centrum”,
do latim (centro). Com a equivocada visão antropocêntrica,
esquecemos que também somos animais, acreditando que eles
nasceram para nos servir e que temos o poder de decidir sobre
a vida e a morte desses seres (inclusive para nossa alimentação).
E, não se pode justificar o comportamento animal de acordo
com valores próprios do ser humano – “ Como
sentir o que o morcego sente quando produz os pulsos sonoros
que, refletidos, lhe fornecerão uma informação
sobre a localização de uma mariposa, de outro inseto
comestível ou de obstáculos ? Ouvir os mesmos sons
não é possível, por falta dos substratos
neuro- sensoriais apropriados.” (César Ades – Instituto
de Psicologia - USP). A abordagem antropomórfica é reducionista
e ignora um sem número de desempenhos interessantes.
A idéia pela qual os pensamentos e emoções
de um animal podem ser traduzidos diretamente em termos humanos, é distorcida
e equivocada. Os animais possuem sentidos (muito mais apurados
que os nossos), linguagem e emoções singulares,
diferentes das nossas . Então, não podemos dizer
o que é ser um cavalo, uma águia, um morcego, etc.
Projetar atributos humanos nos animais faz com que, deixemos
de percebê-los como realmente são. Essas distorções,
freqüentemente, causam transtornos para os humanos e para
os animais pois, turvam, toldam a verdadeira natureza de outras
espécies e suas necessidades.
O modelo antropocêntrico e suas conseqüências
antropomórficas está sendo questionado. O homem,
deve admitir que todas as espécies animais estão
, de alguma forma, amalgamadas num meio mais amplo, do qual todas
fazem parte – e não a espécie humana ser
a coroa da criação.
Com esta base, uma nova corrente de pensamento, está desenvolvendo-se – é o
biocentrismo que, propõe que os direitos naturais devem ser estendidos
a todos os elementos da natureza (Roderick Nash , em seu livro “ Os Direitos
da Natureza.”).
Segundo o biocentrismo, a Terra é compreendida como uma entidade viva,
onde existem relações de causa e efeito. E, parte do princípio
que o ser humano não deverá legitimar o sofrimento infligido a
outros seres. As diferenças entre as espécies são entendidas
como uma exaltação da diversidade que existe na natureza. Cada
animal é um ser singular, único, provido de vida e identidade.
O biocentrismo é a equilibrada abordagem pela qual devemos coexistir simbiótica
e cooperativamente com as demais espécies.
Podemos começar a exercitar o conceito de biocentrismo, aceitando que
somos mais uma espécie animal e não o cerne da criação.
Apresentamos diferenças e semelhanças com outros animais - praticamente
não há diferenças entre nossos cérebros e os dos
demais mamíferos, o que nos leva a crer termos reações similares
e não superiores. Devemos, por intermédio de uma ligação
afetuosa, compreender que não estamos acima, mas que somos parte.
O que podemos fazer é estudarmos cada animal e seu comportamento para
adquirirmos conhecimento das diferenças e semelhanças existentes
entre nós e outras espécies. Só assim chegaremos o mais
próximo da compreensão do que é ser cada animal.
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Dra.
Martha Follain |
| Colunista do site GREEPET. Formada em Direito. Especialista em Florais de Bach para animais e humanos pelo Instituto Bach. Possui ainda formação em Aromaterapia, Florais de Minas, Fitoterapia Brasileira, Terapia Ortomolecular, Bioeletrografia, Cristaloterapia, Cromoterapia, Terapia de Integração Craniossacral, Psicoterapia Hoística, Neurolingüística, Master Practitioner, Hipnose, Regressão e Reiki. CRT: 21524 |
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