USO
DE APARELHOS ORTODÔNTICOS EM CÃES E GATOS
Por
Dr. Herbert L. Corrêa

foto: Nildo Lacerda |
Os
cães e gatos também podem precisar de aparelhos
ortodônticos?
Sim,
pois ambas espécies apresentam problemas de oclusão
errada associadas ou não a deformidades ósseas
do crânio e sua relação com a mandíbula. É possível
que estes problemas tenham crescido muito devido a uma
falha de supervisionamento dos cruzamentos. Isto fez com
que algumas raças atuais apresentem freqüentes
problemas de oclusão. Para algumas delas, porém,
estas alterações são aceitas e consideradas
normais. É o caso, por exemplo, dos Buldogs.
Os cães e gatos podem usar aparelho,
mas será que devem?
Esta
já é uma questão delicada pois envolve ética.
Em princípio todo o animal teria direito de ter
uma oclusão perfeita ou o mais próximo do
normal, pois a má oclusão pode causar prejuízo
a saúde do animal (trauma em tecidos moles, dor,
desgaste dos dentes, predisposição maior
a doenca periodontal, etc). Infelizmente, este não é apenas
um problema estético. Ao serem utilizados em exposições
e/ou para cruzamentos, estes animais "corrigidos" podem
transmitir o problema para seus filhotes, perpetuando a
incorreção. Por isso, é necessário
muita cautela quando da indicação de um tratamento
ortodôntico. O proprietário deve, sobretudo,
ser informado de sua responsabilidade.
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O
aparelho ortodôntico usado em animais é parecido
com o usado no homem?
O principio de movimentação é o
mesmo, mas os aparelhos são um pouco diferentes. |
Normalmente
usamos aparelhos fixos, que podem ser passivos (plano inclinado)
ou ativáveis (expansores). Brackets, fios ortodônticos
e elásticos têm uma aplicação
limitada devido ao tamanho reduzido dos dentes, como também
ao comportamento dos animais.
Qual
a principal causa dos problemas ortodônticos?
Ainda
não existem estudos bem dirigidos para determinar
a causa de todos os problemas encontrados em todas as raças.
Mas existe um consenso entre os pesquisadores de que a
maior parte dos casos esteja relacionada a fatores genéticos
e/ou hereditários. Alguns casos, por exemplo, estariam
relacionados a fatores externos, como traumas e hábitos.
Em nosso atendimento no ODONTOVET, temos notado que existe
um grandenúmero de animais com histórico
de atraso na exfoliação ou retenção
dos dentes decíduos (de leite), o que faz com que
os dentes permanentes erupcionem em uma posição
desfavorável. Por isso, a recomendação
atual é que, ao notar um dente permanente erupcionando
e com a presença do dente de leite ainda firme,
a extração do dente de leite seja feita imediatamente.
Em
que situações faz-se necessário
o uso dos aparelhos?
Quando
a oclusão afeta a vida e a saúde do paciente.
Isso pode acontecer quando um dente fora de posição
causa um trauma na gengiva ou no céu da boca, podendo
levar até a uma comunicação com o
nariz; ou quando um dente oclui sobre outro podendo levar
a um desgaste, a pulpite e a dor. Há casos em que
o mau posicionamento dos dentes facilita o acúmulo
da placa bacteriana levando a inflamação
da gengiva e posterior perda do dente (doença periodontal).
Em outras situações pode haver dificuldade
de mastigação e/ou apreensão do alimento.
Em cães de trabalho e guarda a aclusão desbalanceada
pode ser um importante fator predisponente de fraturas
nos dentes. Importante é lembrar que a estética,
na maioria das vezes, deve ficar em segundo plano, pois
a principal preocupação passa a ser a saúde
do paciente.
Quanto
tempo dura um tratamento ortodôntico no cão?
Este é um
dos grandes problemas que temos. Os tratamentos precisam
ser rápidos já que os aparelhos facilitam
o acúmulo de alimento e a formação
da placa bacteriana. Caso não seja feita higiene
adequada, os problemas podem ser bem sérios. Por
outro lado, ao movimentar um dente com uma força
intensa e de forma muito rápida, também corre-se
o risco de perdê-lo. O que tentamos fazer é movimentar
o maior número de dentes em um menor espaço
de tempo com um único aparelho. Em média
temos conseguido bons resultados em cerca de 3 a 4 meses.
Os
cães aceitam bem o uso dos aparelhos?
Antes
de decidir por um tratamento, é preciso avaliar
o temperamento do animal, pois ele pode acordar da anestesia
e "arrancar" ou quebrar o aparelho mordendo grades
e objetos. Outro detalhe importante é a necessidade
de ativação de alguns tipos de aparelhos.
Se o paciente não for dócil, fica difícil
ativar, havendo necessidade de anestesias mais frequentes.
Em alguns casos, o paciente pode parar de comer ou tornar-se
agressivo devido a dor.
Dr. Herbert L. Corrêa
Médico Veterinário
CRMV SP 7158
Odontovet
http://www.odontovet.com
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