História
do Cão-Guia
por Alessandro
Pelletti

foto: Wikipédia
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A
primeira relação privilegiada entre um cão
e uma pessoa cega perde-se no tempo, mas talvez o exemplo
mais antigo seja uma gravura mural presente nas ruínas
romanas do século I da cidade de Heculaneum. Vinda
da Idade Média, chegou até nós uma
placa de madeira, que apresenta um cão preso por
uma trela a guiar um cego.
No entanto, a primeira tentativa sistemática para
treinar cães para guiarem cegos data mais ou menos
do ano de 1780 no hospital para cegos Les Quinze-Vingts em
Paris. Algum tempo depois, em 1788, Josef Riesinger, um fabricante
de peneiras austríaco de Viena, treinou um Spitz Alemão
tão bem, que as pessoas, frequentemente duvidavam
de ele ser cego.
Depois, em 1819, Johann Wilhelm Klein, fundador do Instituto
para a Educação dos Cegos ( Blinden-Erziehungs-Institut)
em Viena, mencionou o conceito do cão-guia para cegos
no seu livro sobre educação de pessoas cegas
(Lehrbuch zum Unterricht der Blinden).
Infelizmente não
existem registos das suas ideias terem sido postas em prática.
Em 1847 Jakob Birrer, um cego suíço, divulgou
a sua experiência pessoal de ser guiado por um cão
que ele próprio treinou durante cinco anos.
A história moderna dos cães-guia para cegos,
começa durante a 1ª Guerra Mundial, quando milhares
de soldados voltaram da frente de batalha cegos por causa
do gás venenoso.
Um médico alemão, Dr
Gerhard Stalling, teve a ideia de treinar um grande número
de cães, para ajudar esses soldados. Esta ideia surgiu
quando passeava com um paciente pelos jardins do hospital,
na companhia do seu cão. Deixou-os por alguns momentos,
e quando voltou, teve a certeza de que o seu cão estava
a tomar conta do paciente cego.
O Dr Stalling começou a estudar várias formas
de treinar cães, de modo que estes se tornassem guias
fiáveis e, em Agosto de 1916, abriu, em Oldenburg,
a primeira escola do mundo de cães-guia para cegos.
A
escola cresceu, e abriu novas filiais em Bona, Breslau, Dresden,
Essen, Freiburg, Hamburgo, Magdeburgo, Münster
e Hannover, que educavam 600 cães por ano. De acordo
com alguns relatos, estas escolas forneciam cães não
apenas para ex-soldados, mas também para pessoas cegas
no Reino Unido, França, Espanha, Itália, Estados
Unidos, Canadá e União Soviética.
Infelizmente, a parceria acabou em 1926, mas nessa altura,
apareceu em Potsdam, perto de Berlim, outra grande escola
de treino de cães-guia, que teve grande sucesso.
O
seu trabalho abriu novas perspectivas no treino de cães-guia,
tendo permanentemente cerca de 100 cães nas suas instalações
e entregando 12 cães por mês. Nos seus primeiros
18 anos, a escola educou cerca de 2500 cães-guia para
cegos, com uma taxa de insucesso de apenas 6%.
Mais ou menos nesta altura, uma milionária americana,
Dorothy Harrison Eustis, já treinava, na Suíça,
cães para o exército, polícia e serviços
aduaneiros.
Foi com a sua determinação e experiência
que lançou internacionalmente o movimento de cães-guia
para cegos. Quando ouviu falar da escola de Potsdam, Dorothy
quis estudar os seus métodos e passou vários
meses lá. Voltou tão impressionada, que, em
Outubro de 1927, escreveu um artigo sobre a escola para o
jornal americano "Saturday Evening Post".
Um cego americano chamado Morris Frank ouviu falar do artigo
e comprou o jornal. Mais tarde disse:
"
Os 5 cêntimos que paguei pelo jornal permitiram-me
comprar um artigo que valia mais de um milhão de dólares.
Mudou a minha vida".
Escreveu a Eustis, para lhe dizer que gostava muito de a
ajudar a introduzir os cães-guia para cegos nos Estados
Unidos.
Aceitando o desafio, Dorothy treinou um cão, o Buddy,
e levou Frank para a Suíça para aprender a
trabalhar com o cão.
Ele
voltou aos Estados Unidos com o que acreditava ser o primeiro
cão-guia para
cegos da América. No entanto, está provado,
que uma organização italiana, a "Sculola
Nazionale Cani Guida per Ciechi" já tinha iniciado
a sua actividade em 1928.
O sucesso desta experiência encorajou Dorothy a formar
as suas próprias escolas de cães-guia em Vevey
na Suíça em 1928 e mais tarde nos Estados Unidos.
Baptizou-as de L'Oeil qui Voit, ou "O Olho que Vê" (o
nome vem do Antigo Testamento "O ouvido que ouve e o
olho que vê, o Senhor os fez a ambos" Provérbios,
XX, 12). Estas foram as primeiras escolas de cães-guia
modernas.
Em 1930, duas mulheres britânicas, Muriel Crooke e
Rosamund Bond, ouviram falar da "Olho que Vê" e
contactaram Dorothy, e esta mandou um dos seus educadores
ao Reino Unido. Os primeiros 4 cães-guia ingleses
completaram o seu treino em 1931, e três anos depois
foi fundada a "Guide Dogs for the Blind Association" (Associação
de Cães-Guia para Cegos).
Desde essa altura, abriram várias escolas de cães-guia
por todo o mundo, e continuam a abrir. Milhares de pessoas
viram as suas vidas completamente transformadas pelos cães-guia
e pelas organizações que os educam e entregam.
O
empenhamento das pessoas que trabalham nesta área é tão
grande hoje em dia como era há anos atrás,
e os olhos que vêem do legado de Dorothy continuam
a trabalhar para a melhoria da mobilidade, da dignidade
e da independência das pessoas cegas e com baixa
visão
em todo o mundo.
O movimento continua.
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Alessandro
Pelletti |
Diretor
de Adestramento e Cursos.
Currículo perto de 2.000 cães já treinados.
Ministra
cursos para formação de adestradores desde 1997.
Canil Dog Master
http://www.dogmasterbrasil.com.br/ |
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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