CERATITE
ULCERATIVA
por Dr.
Luciano Carneiro Filho
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| foto:
freedigitalphotos |
A
córnea dos animais é formada basicamente
por 4 camadas: Epitélio, estroma, membrana de Descemet
e endotélio.
As úlceras corneais são
soluções de continuidade de uma ou mais camadas
da córnea ocasionadas por traumas físicos,
químicos, infecciosos e etc...
Podemos
classificar as úlceras pela profundidade
da lesão: Úlceras superficiais quando vemos
envolvido somente o epitélio corneal, úlceras
profundas quando ocorre o envolvimento da camada estromal,
descemetocele quando chega à menbrana de Descemet
e ruptura ou perfuração corneal.
Ao chegarmos à fase
de ruptura em seguida teremos prolapso da íris pela
ferida, vemos ainda outras estruturas intra-oculares se
apresentando e subsequente desenvolvimento de endoftalmite.

foto: Sove |
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Todo
o tratamento de qualquer tipo de ulceração
corneal começa a partir de sua provável
etiologia.
Temos nas causas mecânicas as abrasões,
os corpos estranhos, queratites de exposição,
os entrópios, as alterações de cílios
como as triquíases, as distiquíases e os
cílios ectópicos. |
Nas causas infecciosas temos as infecções
bacterianas, micóticas e virais. Temos ainda queratoconjuntivites
secas, queratopatias bolhosas, queratopatias neurotróficas
(paralisia de um ramo do nervo trigeminal).
Praticamente
todo
animal com úlcera corneal tem dor, blefaroespasmos,
epífora, descarga ocular purulenta, fotofobia, miose,
edema corneal, perda da transparência da
córnea. Toda a vez que houver algumas das condições
acima é inprescindível se colorir o olho com
tintura de fluoresceína.
A fluoresceína possui
solubilidade aquosa e se difunde e se fixa em meio aquoso.
A camada corneal que possui solubilidade aquosa é a
segunda camada, denominada estroma corneal.
Em equinos de
salto ou corrida é comum queratites de etiologia fúngica
cicatrizarem mantendo uma mancha clara (leucoma ) extremamente
dolorosa e fluoresceína negativa. Após o diagnóstico
diferencial é necessário fazer-se um transplante
corneal penetrante a fim de curar o problema.
Alguns transplantes
a maioria sofre rejeição mesmo sob Ciclosporina
tópica acarretando perda da transparência no
local do transplante porém o animal permanece sem
dor o que por si só já é o sufiente
para se tentar a cirurgia.
As queratites fúngicas
tem que sofrer tratamento com drogas tópicas antifúngicas
como Pimaricina ou Miconazole. Culturas para identificação
de microorganismos são por vezes necessárias.
Dou sempre preferência a utilização de
antibióticos aminoglicosídeos pois por vezes
(a maioria) temos envolvimento de Pseudomonas aeruginosa.
Esta
bactéria associada à normal cicatrização
produzem ambas substâncias químicas conhecidas
como proteases e tambem colagenases. Enzimas estas que digerem
os tecidos e criam a figura comum em oftalmologia veterinária
conhecida como "melting cornea " que quer dizer
derretimento pois o que ocorre é a liquefação
dos tecidos.
Os
corticosteróides tópicos potencializam
enormemente essas substâncias , diminuem a força
da cicatrização, da regeneração
epitelial, endotelial e atividade fibroblástica.
As úlceras corneais devem ser tratadas conforme
sua severidade. |
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foto:
Sove |
Os
meios de tratamento cirúrgicos incluem
uma variada gama de procedimentos que incluem, tarssorrafia,
cobertura com retalhos de menbrana nictante transposições
corneoesclerais e cobertura com retalhos de conjuntiva.
Nunca
deixe de usar fluoresceína em olhos doloridos
e reacionais.
Trate as úlceras conforme sua gravidade
sempre lançando
mão caso necessário de recursos cirúrgicos
que podem salvar o olho de um paciente seu.
Dr.
Luciano Carneiro Filho
Médico Veterinário
Diplomado Colégio Latino Americano de Oftalmologia
Veterinária.
Microcirurgia, Catarata por Facoemulsificação,
Ultrassonografia, Eletroretinografia, VEP, Anestesia
Inalatória.
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br |