USO
DA FISIOTERAPIA E ACUPUNTURA COMO TRATAMENTO CONSERVADOR
EM CÃES (Canis familiaris) COM DISPLASIA COXOFEMORAL – RELATO
DE CASO
por Dr. Max N.
Freire, Ana Paula Reis de Oliveira e Hélia Zamprogno

foto:
Dr.
Max N. Freire |
A
displasia coxofemoral é uma doença que
acomete cães de pequeno a grande porte podendo
levar a uma subluxação em idade precoce
devido a instalação de alterações
degenerativas secundárias à instabilidade
e inflamação, com um quadro de dor acentuado.
Dentre os tratamentos descritos a fisioterapia e a
acupuntura atuam como tratamento conservador não
invasivo, com objetivo de melhorar a qualidade de vida
do animal, reduzindo as dores articulares e reabilitando
a musculatura do animal, no intuito de postergar ou
evitar uma intervenção cirúrgica.
INTRODUÇÃO
A displasia coxofemoral é uma doença caracterizada
pelo desenvolvimento anormal da articulação
coxofemoral uni ou bilateral, influenciada por fatores hereditários,
ambientais e nutricionais. É caracterizada por graus
variáveis de frouxidão articular, instabilidade
e desenvolvimento de uma osteoartrite que permitem a subluxação
em idade precoce.
O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. A
decisão do tipo de tratamento será consequência
do grau de displasia do paciente e das condições
financeiras do proprietário.
Dentre os tratamentos preconizados, a fisioterapia e acupuntura
tem um importante papel no restabelecimento da força
muscular, na diminuição do uso de fármacos,
na estabilização do processo degenerativo,
na analgesia, além de proporcionar uma melhor qualidade
de vida ao animal e posterga o tratamento cirúrgico
que é mais agressivo, retardando assim as possíveis
complicações envolvidas em procedimentos.
Este trabalho tem como finalidade relatar os benefícios
proporcionados pela fisioterapia no tratamento de cães
com displasia coxofemoral.
MATERIAL
E MÉTODOS
Foi
avaliado um cão, da raçãop Pastor
Alemão, com 9 anos de idade, apresentando sinais
clínicos de displasia coxofemoral de grau avançado,
com sintomas comuns de hipotrofia muscular, claudicação,
dor à palpação, dificuldade em deambular
e paresia de posteriores. Este animal após avaliação
clínica e radiológica foi tratado pela fisioterapia
e acupuntura.
Os exercícios fisioterápicos foram realizados
através da cinesioterapia com estimulação
neurosensorial nos membros posteriores com diferentes texturas
e utilização de frio, flexão e extensão
do quadril, alongamento dos músculos extensores e
flexores da coxa e fortalecimento muscular através
da cinesioterapia assistida e ativa livre, além da
acupuntura utilizando os acupontos: Bai Hui, R 3, B 60, E
36 e VB30 bilateral onde neste último foi utilizado
o recurso de eletroacupuntura com freqüência de
10 Hz durante 10 minutos.
As sessões de acupuntura foram realizadas com intervalos
de uma semana. Os exercícios fisioterápicos
foram prescritos a cada sessão para que o proprietário
realizasse-os todos os dias durante a semana (tabela 1).
Tabela
1: Tratamento instituído durante as sessões
do Caso 1.
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RESULTADOS
E DISCUSSÃO
Após as três primeiras sessões o animal
já apresentava sinais de melhora. A dor à palpação
diminuída encorajou o animal a manter-se em estação.
Entre a terceira e sexta sessão ocorreu um aumento
da amplitude de movimento da articulação sentida
ao realizar os exercícios de flexão e extensão
do quadril.
Na sexta sessão o animal chegou a clínica deambulando,
com apoio do proprietário que apoiava os membros posteriores
através de uma tipóia na região inguinal.
Na sétima sessão o animal chegou a clínica
deambulando sem o apoio do proprietário, ainda apresentando
um pouco de incoordenação.
Concordando com SCHMAEDECK (2004), VASSEUR (2005) e MINTO
(2006), todas as técnicas cirúrgicas são
passíveis de complicações, que podem
ser mínimas como na denervação ou na
colocefalectomia onde o animal poderá continuar com
dores articulares e algumas dificuldades de locomoção,
ou até complicações grave, por exemplo,
na prótese coxofemoral que poderá não
ser adequada ao animal e causar rejeições.
Segundo MANLEY (1998), a fisioterapia contribui para a manutenção
da massa muscular e o funcionamento das articulações
sem que elas sejam excessivamente pressionadas, ajudando
a controlar circunstância crônicas ou progressivas,
por exemplo a displasia coxofemoral, que pode ser observado
neste trabalho, onde suprimimos ou prorrogamos a necessidade
de procedimentos invasivos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. MANLEY, P. A.. Articulação coxofemoral:
tratamento da displasia coxofemoral. In: SLATTER, D.. Manual
de cirurgia de pequenos animais. 2 ed., São Paulo:
Manole, 1998. p. 2113-2133.
2. MINTO, B. W.; BRANDÃO, C. V. S.; PEREIRA, G.
J. C.; RANZANI, J. S. T.. Utilização do sistema
modular na prótese total da articulação.
Acta Scientiae Veterinariae. 34, 2006. p. 163-166.
3. SCHMAEDECK, A.. Estudo quantitativo das fibras nervosas
do periósteo acetabular em cães. Dissertação
de mestrado na faculdade de medicina veterinária
e zootecnia de São Paulo (USP). São Paulo,
2004.
4. VASSEUR, P. B..Osteotomia da cabeça e do colo
femorais. In: BOJRAB, M. J.. Técnicas atuais em
cirurgia de pequenos animais. 3 ed. São Paulo: Roca,
2005. p. 634-642.
Dr. Max N. Freire
CRMV-RJ 5883
Colunista do site GREEPET.
Diretor Vet Physical
Prof. Fisioterapia e Acupuntura Veterinária Universidade
Estácio de Sá
Prof.Fisioterapia Veterinária Vet Physical e
Instituto Bioethicus
Prof. Acupuntura do Instituto Brasileiro de Medicina
Tradicional Chinesa
Pós Graduado em Acupuntura (Academia Brasileira
de Ciências Orientais)
Graduando em Fisioterapia (UNESA)
*
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intacta e a fonte do artigo seja citada.
Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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