CRIPTORQUIDISMO
EM CÃES
por Dra.
Camila Infantosi Vannucchi
 |
| foto:
Audinil M. Junior |
Criptorquidismo
(do grego: testículo
escondido) é uma alteração reprodutiva
de machos, caracterizada pela ausência do deslocamento
de um ou de ambos os testículos da cavidade abdominal
para o escroto. Criptorquidismo unilateral é o termo
correto para se definir a ausência de um único
testículo
no escroto e criptorquidismo bilateral refere-se à ausência
de ambos. O testículo pode estar retido no tecido subcutâneo
da área pré-escrotal, no abdome ou na área
do anel inguinal.
Nos
cães, a formação do tubérculo
urogenital no feto se dá ao redor de 24 dias de idade
gestacional, a formação dos testículos
com 29 dias e o início da fase de migração
transabdominal aos 42 dias. A fase de migração
inguino-escrotal se inicia ao redor de 4 a 5 dias após
o nascimento.

Cão com criptorquidismo
Foto: Dra. Silvia Edelweiss |
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O
processo de descida testicular deve completar-se até os
seis meses de idade, quando, na maioria dos cães,
o anel inguinal se fecha. Porém, os testículos
podem ser palpáveis no interior do escroto em
períodos que variam de 10 a 42 dias de idade. |
Criptorquidismo é uma
afecção causada por fatores genéticos
mas tem componentes endócrinos e extrínsecos.
Existe um envolvimento considerável de fatores genéticos
em doenças relacionadas anomalias do cromossomo
X, entre elas o aparecimento de criptorquidis-mo. Outros
defeitos congênitos parecem estar associados ao criptorqui-dismo
incluindo hérnia inguinal, displasia coxofemoral,
luxação de patela e defeitos do pênis
e prepúcio. Por conceito, o criptorquidismo é uma
doença hereditária autossômica, ligada
ao sexo. Portanto, embora somente os machos manifestem
os sintomas, as fêmeas podem ser portadoras do gene
responsável. Acredita-se que a doença seja
poligênica.
Existem
vários sintomas associados ao criptorquidismo,
variando de acordo com a idade e a localização
do testículo, tais como: esterilidade, distúrbios
de comportamento, aumento de sensibilidade local, dermatopatias,
alterações neoplásicas dos testículos,
entre outros.
Quando o criptorquidismo for bilateral o animal será estéril.
Entretanto, nos casos de criptorquidismo unilateral o testículo
em posição escrotal terá espermatogênese
normal, sendo comum a oligospermia.
O cão criptorquídico pode apresentar modificações
de comportamento como: hipersexualidade, excitabilidade,
irritabilidade e tendência à agressividade.
Ainda, as neoplasias em testículos ectópicos
podem acentuar sobremaneira esta alteração
comportamental, além da diminuição
da fertilidade, do alto risco de torção do
cordão
espermático e todas as complicações
clínicas e cirúrgicas pela presença
do tumor.

Ultra-sonografia delimitando
um testículo ectópico
Foto: Dra. Silvia Edelweiss |
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O
exame ultra-sonográfico pode ser de grande valia,
pois permite identificar o testículo ectópico
bem como alterações morfológicas
do mesmo. É preciso ressaltar que a
conduta expectante até o sexto mês de
idade do animal é recomendada, antes de se estabelecer
o diagnóstico definitivo. |
O diagnóstico deve ser feito
através de inspeção
visual e palpação cuidadosa do escroto. Entretanto,
a gordura escrotal em excesso e os linfonodos inguinais podem
ser confundidos com testículo ectópico. O testículo
retido é menor em tamanho e peso (caso não
haja neoplasia) em relação ao que está localizado
no escroto.
O tratamento para o criptorquidismo pode ser medicamentoso
ou cirúrgico. A escolha da melhor conduta a ser realizada
depende da idade do animal e da sintomatologia envolvida. Por
ser uma afecção comprovadamente hereditária,
o tratamento medicamentoso único corresponde a uma conduta
questionável do ponto de vista ético. Porém,
para cães jovens (até 16 semanas) que apresentam
a ectopia testicular de difícil acesso cirúrgico,
pode-se optar por tratamento medicamentoso inicialmente, no
sentido de promover a descida testicular artificialmente para
em um segundo momento proceder-se a terapia cirúrgica.
O tratamento medicamentoso pode ser realizado com o hormônio
liberador de gonadotrofina (GnRH) ou drogas que tenham ação
semelhante ao hormônio luteinizante, como por exemplo,
a gonadotrofina coriônica humana. A terapia de escolha
para o criptorquidismo é orquiectomia bilateral, por
reduzir as chances do desenvolvimento de neoplasias testiculares
e a possibilidade de transmissão genética do
problema. Dentre as possibilidades de correção
cirúrgica, pode-se
realizar a orquiopexia ou reposição do testículo
ectópico, entretanto essas são condutas que
não
interrompem a descendência genética da afecção,
desta forma não recomendável.
O prognóstico para a vida do animal é excelente
quando o tratamento é realizado de forma a evitar o
comprometimento neoplásico do testículo ectópico.
Em contrapartida, o prognóstico para a vida reprodutiva é ruim.
Conclusão
O criptorquidismo é uma afecção bastante
comum na clínica de pequenos animais. Porém,
o desafio maior em relação a este problema é o
estabelecimento de formas de controle e propagação
do defeito em famílias e populações de
cães. O controle definitivo do criptorquidismo só é possível
por meio de melhoramento e aconselhamento genético conscientes.
Para este fim, conhecimento acerca das características
do problema são fundamentais. Por exemplo, sabendo-se
tratar de uma afecção hereditária, o tratamento
cirúrgico definitivo é o de eleição.
Ainda, por ser uma alteração autossômica,
ligada ao sexo, a transmissão do defeito genético
pode ocorrer tanto através do macho como da fêmea.
Portanto, a matriz e o reprodutor dos quais o cruzamento resultou
em filhotes criptorquídicos, devem ser afastados da
reprodução.
Dra.
Camila Infantosi
Vannucchi
Possui
graduação
em Medicina Veterinária
pela Universidade
de São Paulo
(1996), mestrado
em Reprodução
Animal pela Universidade
de São Paulo
(2000) e
doutorado em Reprodução
Animal pela Universidade
de São Paulo
(2003).
Atualmente é professor
doutor da Universidade
de São Paulo.
Tem experiência
na área de
Medicina Veterinária,
com ênfase
em Patologia da Reprodução
e
Obstetrícia
Animal, atuando principalmente
nos seguintes temas:
neonatologia
e biotecnologia da
reprodução.
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br |