O
CUIDAR
por Fernanda
Aparecida de Gouvêa Oliveira Paro

foto: Maria Rosa Verderame |
Nos últimos
meses, venho me dedicando à minha monografia do curso
de pós-graduação, cujo tema aborda os
preceitos da tutela responsável de animais. Embora
sempre envolvida com a temática, já que sou
uma protetora independente de animais, durante minha pesquisa,
pude constatar - ainda mais - o descaso da sociedade com
os animais.
A realidade é muito mais cruel e injusta do que eu
pensava saber, e isto me levou a crer que estamos agindo
de forma equivocada e descuidada, não somente com
os animais, mas conosco também!
Nosso relacionamento com as outras formas de vida é absurdamente
odioso, e essa concepção antropocentrista,
já sedimentada há muito em nossa mente, está nos
levando à extinção.
Quando me refiro à extinção, não
quero dizer o fim da espécie humana, muito embora
isso possa acontecer - afinal, somos seres frágeis
diante da força da mãe natureza - mas da extinção
da ética e do cuidado.
O cuidado, como disse Leonardo Boff, é essencial para
a manutenção das relações sociais
que permeiam todos os seres viventes. E onde encontramos
verdadeiro sentido de cuidado atualmente?
Observamos passivamente a deterioração das
relações sociais e a falta de amizade, de ternura
e compaixão com o próximo - animal humano ou
não – são as causas da competição
exacerbada, mesquinha e desleal que tomou conta da sociedade
moderna.
O egoísmo e a causa própria são os únicos
mandamentos que parecem prevalecer neste momento triste e
decadente da história humana. A simplicidade cede
lugar a uma realidade obtusa, de gestos e pensamentos maquiavélicos.
Parece que a inocência ficou para trás e o que
vale agora é o jogo, a estratégia daqueles
que sabem jogar - o “ser” esvaiu-se em “ter”, “fazer”, “poder”.
Mas como mudar, como transformar realidade tão ignóbil?
As transformações devem ocorrer primeiramente
dentro de nós. Parar, serenar o pensamento e tentar
ser melhor é uma atitude simples, mas que pode efetivamente
mudar a realidade planetária.
Perguntas surgirão, mas a principal a ser feita é:
Eu faria isto comigo? Devo fazer, então, ao meu próximo,
humano ou não?
E após ouvir a resposta, você saberá como
agir com todos os outros seres e isso vai trazer benefícios
tão grandiosos que o mundo se transformará – o
micro e o macro cosmo.
Como permanecer insensível a uma realidade que nos
chama a agir e transformá-la? Ninguém, além
de você mesmo, sabe o que é melhor para você e
para o mundo. Resta ir à busca do que realmente vale
a pena nessa vida tão impermanente: o cuidar.
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Fernanda
Aparecida de Gouvêa Oliveira Paro |
Colunista do site GREEPET.
Bióloga – CRBio 43684/01
Protetora animal independente. Educadora Ambiental.
www.becodosgatosgourmet.blogspot.com |
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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