INTELIGÊNCIA
CANINA
Por João
O. Salvador
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| foto:
Caio Victor Rebello Spassapan |
Existem
fartos relatos que comprovam a inteligência animal,
diante de tanta ousadia e peripécias de um cão
domesticado.
Numa fazenda do sul de Minas, os verdadeiros apanhadores
de café acabaram ganhando um aliado importante, ou
um perigoso concorrente, diga-se de passagem, justamente
numa época que o emprego é uma coisa rara.
Amendoim é o
nome de um cachorro vira-lata que se tornou um excelente
apanhador de café, ofício
que aprendeu sozinho, apenas por ser bom observador. De grão
em grão e, com muito cuidado, ele vai colhendo o café junto
com os demais colhedores.
Além de cumprir a sua obrigação,
ainda sobra-lhe tempo para corrigir o serviço dos
trabalhadores, ao repassar e catar algum restinho que sobrou
nos ramos. Colhe sem estragar os frutos e os pés de
café, pois não derruba folha e nem quebra o
ramo, dando o verdadeiro exemplo como colhedor.
É óbvio
que todo café colhido pelo Amendoim tem de ser lavado
antes de comercializá-lo, mas o mais importante é que
desempenha sua tarefa com grande vantagem em relação
aos demais, pois trabalha sem reclamar, não tem carteira
de trabalho e não cobra um centavo sequer, pelo serviço
prestado.
Já Negrinho, diferentemente de Amendoim, era um cão
de companhia, uma função animal bastante importante
nos dias de hoje, quando as pesquisas mostram os efeitos
positivos da convivência com animais em todo o percurso
da vida humana. Ele acompanhava um velhinho em sua vida franciscana,
que herdou pela desilusão com a mulher que o traiu,
pela decepção com os amigos que o roubaram
e com os filhos que o menosprezaram.
Alegre, brincalhão,
Negrinho chamava atenção e cismava em enroscar-se
nas pernas do velho, que xingava, praguejava, espantava o
danado do cachorro, mas viu que não adiantava, já havia
sido adotado por ele.
Com o passar do tempo e sozinho com
o cão, acabou adoecendo, vítima de uma tuberculose.
Sem poder se levantar, com febre e tremores, o animal era
o único que o acompanhava em cada movimento. Se ele
gemia, lambia-lhe as mãos. Se tossia ou tremia, procurava
encostar-se no corpo do amigo, para fornecer-lhe calor.
Foi
Negrinho, também, o único a ver e ouvir a despedida
do velho daquele submundo. Nos seus últimos momentos,
o velho acariciou a cabeça do cão, que o velara
incansavelmente, em sinal de agradecimento.
No enterro dele,
só o coveiro e o cão. Quando baixou o caixão,
o coveiro cobriu, arrumou a sepultura, limpou a pá e
tentou espantar o cão. Tudo em vão. Negrinho
dormiu uma, duas...cem noites sobre a sepultura. Um dia se
foi, para nunca mais ser encontrado.
O Cabo Nick, tombado no cumprimento do dever, pertencia a
um canil da Polícia Militar. Um grandioso cão
que despertou a alegria e sorrisos nos adultos e crianças,
pelas suas habilidades mostradas nas suas apresentações.
Seu
desempenho era o melhor, a sua obediência, então,
exemplar. Doou sua própria vida para salvar a dos
homens, mas todos que tiveram a honra de acompanhá-lo
choraram e lamentaram sua partida, naquela fatídica
noite, durante uma perseguição policial, quando
o carro dos bandidos capotou, esmagando-o.
É
Por isso que reafirmo que todos devem ser amigos, solidários
e bastante responsáveis pelas criaturas que participam
da vida humana, seja por qualquer animal de estimação
e muito zelo com a Natureza.
João
O. Salvador
Biólogo da USP (Universidade de São
Paulo) Colunista do site GREEPET, colaborador do Jornal de
Piracicaba,
Gazeta de Piracicaba e Tribuna Piracicabana
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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