NÓS
ANIMAIS?
por Fernanda
Aparecida de Gouvêa Oliveira Paro

foto: João Carlos de Oliveira |
Começo
meu artigo com este tema-questionamento porque, infelizmente,
deixamos de acreditar que também somos animais.
Nós somos animais, você sabia?!
Alguns leitores pensarão: Sim, somos, e daí?
Outros afirmarão: Somos animais racionais, inteligentes,
diferentes das demais espécies.
Diante de tantas reflexões acerca da natureza animal
do ser humano – e é esse o exato motivo do artigo – devo
dizer que todos vocês mentem, porque no fundo, ninguém
se coloca como animal. Acreditamos sermos seres pródigos,
filhos de Deus, senhores do Planeta Terra e donos de tudo
que nele há.
Acreditamos que os demais seres existem para nos servir,
para dar a vida por nós, e esse é o único
motivo pelo qual eles nascem, crescem e morrem. Deus criador
de todos as formas de vida, deu de presente para o homem,
um planeta fecundo, cheio de riquezas e animais para servi-lo,
sim, pois o homem é o eleito de Deus, sua obra prima
inteligente, seu favorito.
Não é isso que está na Bíblia?
Não é assim que o Homem se coloca diante dos
demais seres, desde o início dos tempos?
Pois é, tudo isso está muito errado, toda essa
interpretação excludente, esse modo antropocêntrico
de ser e agir, que está arraigado em nosso comportamento
desde muito tempo e está nos levando para um caminho
triste e sem volta. As crises nas relações
humanas e a crise ambiental pela qual estamos passando são
resultado dessa forma infeliz de nos colocarmos diante do
mundo, diante de nós mesmos e de outros seres vivos.
OK, somos animais, mas somos diferentes? Como assim? Na verdade
não somos todos diferentes uns dos outros? E os animais?
São diferentes porque não raciocinam? Será que
não raciocinam ou o homem ainda não soube desvendar
sua forma peculiar de pensar e de se relacionar?
Antigamente, diziam que negros e mulheres eram inferiores,
pois não possuíam capacidade de pensar, eram
seres tacanhos e com curta inteligência. Bem, após
muito sofrimento, nós mulheres conseguimos provar
o contrário, os negros também. Mas, e os animais,
até quando sofrerão para nos provar o contrário?
Até quando trataremos os animais como seres inferiores?
Até quando continuaremos a ceifar suas vidas em nome
da nossa beleza, do nosso paladar, do nosso divertimento,
da nossa vida?
Quando cessaremos de observar os animais como simples objetos
supérfluos para nossa existência e olharemos
para eles como seres como nós, que buscam a felicidade
e o amor? Que buscam sobreviver e fazer parte da linda epopéia
divina que é a vida?
Para transformarmos o mundo a nossa volta, precisamos primeiro
nos revisitar e nos transformarmos, modificando hábitos
e atitudes que já não são mais benéficas
para nós mesmos, para o planeta e para todas as formas
de vida.
Somos uma grande família, fazemos parte da mesma história,
precisamos uns dos outros, somos elos da mesma corrente,
não haverá paz e harmonia se não passarmos
a pensar e agir a partir deste raciocínio.
Perante ao Pai, não há diferenças, elas
passaram a existir quando os homens assim quiseram. PAX!
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Fernanda
Aparecida de Gouvêa Oliveira Paro |
Colunista
do site GREEPET.
Bióloga – CRBio 43684/01
Protetora animal independente. Educadora Ambiental.
nanda_paro@yahoo.com.br |
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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