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O
MUNDO PELOS OLHOS FELINOS
Por
Alexandre Rossi (Dr. Pet)
Colaborou Daniela Ramos

foto: Vagner Pecht |
Gato é sinônimo
de liberdade, inteligência e curiosidade. Principalmente
curiosidade. Mas ao contrário
de nós, os gatos precisam fazer
muito menos esforço para perceber
o que está acontecendo a seu redor.
Eles não chegam ao extremo de "enxergar
pelas costas", mas visualizam elementos
que estão ao seu redor com menos
esforço. Assim, se alguém
passar ao lado ou mesmo por trás
de um gato, ele não precisará deslocar
muito a cabeça para ver quem é.
Isso se deve ao seu sofisticado aparelho
visual, típico nos predadores,
cujos olhos mostram-se mais projetados
da superfície e apresentam um
campo visual bastante grande, de 220° a
290° (a humana é de 180°).
Embora enxergue bem durante o dia, a
visão do gato é bastante
adaptada à visão noturna.
Seus olhos apresentam estruturas e mecanismos
totalmente direcionados para a visualização
na presença de pouca luz, fazendo
com que aproveitem melhor a luz do ambiente
(estima-se que eles necessitam de cerca
de 1/6 da quantidade de luz que para
nós é o limite mínimo
para a visão).
Um desses mecanismos é dilatação
pupilar, a extrema adaptabilidade das
pupilas que se dilatam ou contraem conforme
a quantidade de luz, permitindo uma melhor
visualização do ambiente.
Quem nunca reparou na diferença
entre os olhos de um gato durante o dia
e à noite? Aquele filetinho escuro
central se transforma numa esfera negra
que toma grande parte do olho. Agora,
seus olhos estão ainda mais abertos
para a escuridão.
Mas nem tudo é glória.
Se por um lado os gatos nos superam na
capacidade de enxergar durante a noite,
por outro, perdem na acuidade visual,
pois eles têm apenas 10% da nossa
capacidade de visualizar imagens detalhadas.
Isso se deve às mesmas estruturas
oculares que maximizam a visão
noturna, que diminuem a resolução
das imagens, tornando-as, na maioria
das vezes, obscura. Além disso,
eles apresentam pouca acomodação
visual e uma leve miopia, que também
resultam na visualização
de uma imagem imperfeita.
Seguindo o mesmo raciocínio, podemos
imaginar que o gato não dará muita
importância e poderá nem
mesmo notar se seu brinquedo ambulante é um
ratinho ou um ursinho, desde que do mesmo
tamanho. Mas com certeza, você chamará sua
atenção quando colocá-los
em movimento. Ainda que ele não
entenda o que aquele formato representa,
será extremamente preciso ao agarrá-lo
e lançá-lo pelos corredores.
Há divergências entre a
possibilidade de visualização
das cores. Estudos anatômicos já conseguiram
comprovar a existência de componentes
oculares e cerebrais necessários
para a visualização e discriminação
das cores, embora com algumas limitações
e sem a certeza do quanto são
funcionais. Cientistas americanos já provaram
que os gatos são capazes de diferenciar
o azul do cinza e o azul do verde, desde
que o objeto colorido não esteja
muito distante de seus olhos e seja de
bom tamanho. Não se sabe ainda
como eles enxergam essas cores, talvez
o azul para eles seja visto como uma
outra cor; certamente diferente do verde
e do cinza. Talvez a compra de camas
e brinquedos coloridos para seu gato
seja uma tarefa inútil: para ele,
talvez grande parte destas cores sejam,
na verdade, tons de cinza.
Alexandre Rossi (Dr. Pet)
www.caocidadao.com.br
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