AMIGOS
E PARENTES
Por João
O. Salvador
 |
| foto:
Alessandra Cardoso dos Santos |
Os
animais podem deixar belas lições aos homens.
Oferecem grandes exemplos de amor, amizade, fidelidade,
ternura, companheirismo e perdão, desde, porém,
que o afeto seja mútuo. Esta relação
interespecífica traz significantes benefícios
na busca humana pela alegria imediata e sentimentos positivos.
É
uma
terapia ou magia curativa, necessária para aliviar
a tristeza de pessoas depressivas, desamparadas ou idosas,
e para amenizar o sofrimento de crianças com doenças
crônicas. A convivência de crianças
com cães ou gatos pode reduzir a probabilidade de
sofrerem de alergias e asma.
O contato permite que seus
corpos construam defesas contra alergênicos. Caracteriza,
portanto, uma tremenda incoerência abandoná-los
por temer a transmissão de doenças. Quando
se cuida bem do animal não há, praticamente,
risco de contágio.
Por toda parte do mundo vêm à tona pesquisas,
relatos e observações científicas que
buscam provar a inteligência animal.
É
claro
que não agem apenas por condicionamento ou como meras
máquinas movidas a instinto, como um bestalhão
de um filósofo pensava. As evidências são
suficientes para comprovar que são possuidores de
estruturas e componentes anatômicos idênticos
aos do homem e bastante desenvolvidos em algumas espécies.
Além
da inteligência, da capacidade de abstração
e de raciocínio, eles têm vontade e iniciativa
de comportamento, como diz Irvênia Prado, do Grupo
de Pesquisas Psicobiofísicas e professora de neuranatomia
da Faculdade de Medicina Veterinária da USP. Como
não bastasse tanta semelhança demonstrada,
a mais recente análise de DNA mostra que há 99,4%
de identidade entre o chimpanzé e homem, o que os
tornaria “irmão” em vez de “primos”.
O macaco está certo em pleitear sua a condição
de gente. Afinal, o homem é um ser mutante, que difere
apenas por ganhar o raciocínio e apresentar uma linguagem
gramatical complexa.Deveria ter muito mais juízo.
Mas virou um bicho esquisito, ganancioso e egoísta.
Um
bicho que retira impiedosamente animais de seus habitats,
de seus filhotes ou de seus pais, como ocorre com as espécies
amazônicas, com mercado garantido. Quem possui um casaco
de pele, ou almeja a tê-lo, deveria sentir na própria
pele que para fazer um simples casaco, dezenas de animais
pagam com suas próprias vidas de forma cruel, em nome
da vaidade humana. São atraídos por armadilhas,
confinados em jaulas minúsculas, sem alimentos, sem
cuidados veterinários e sujeitos às condições
adversas do clima. Depois morrem afogados, envenenados ou
eletrocutados para não estragar a pele.
E o verdadeiro circo de horrores continua, na China. Há vídeos
que mostram imagens estarrecedoras sobre gatos que são
torturados e mortos com requintes de crueldade. Muitos têm
os olhos furados, cabeças esmagadas, corpinhos queimados
ou chutados como uma bola de futebol. Filhotes que são
mortos e colocados junto à mãe.
O triste caso da cadela Xuxa, uma criatura dócil,
companheira, que foi espancada violentamente, por um maníaco,
um funcionário público de péssima índole,
insano. Mesmo com a cabeça deformada, com patas quebradas,
voltou se arrastando, e que teve de tomar a injeção
de misericórdia para não sofrer mais.
Apesar de existirem tímidas razões para se
crer numa grande mudança de conscientização
humana, no sentido de se criar um relacionamento possível
e passível com a natureza, espera-se que no futuro
o homem possa conviver com outros seres sem pensar em destruir,
de maneira absurda, os nossos ecossistemas naturais. Os animais
são nobres e dignos de respeito. Jamais foi visto
um animal declarar guerra, matar por dinheiro, e assaltar
por ganância. Apenas necessitam viver pacificamente,
sem fome, sem cativeiro, sem sofrimento, principalmente pela
crueldade da exploração e do abandono.
João
O. Salvador
Biólogo da USP (Universidade de São
Paulo) Colunista do site GREEPET, colaborador do Jornal de
Piracicaba,
Gazeta de Piracicaba e Tribuna Piracicabana
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br |