USO
DE FISIOTERAPIA NA POLIARTRITE POR EHRLICHIOSE CANINA
por Dr. Max N. Freire, Carla Rodrigues e Carolina de Oliveira

foto:
Dr. Max N. Freire |
Uso
de fisioterapia da poliartrite por Ehrlichiose canina.
A Ehrlichiose pode causar poliartrite devido à deposição
de imunocomplexos na articulação ou devido à presença
direta do bioagente na mesma. Os sinais radiográficos
indicam a presença de poliartrite, enquanto que
a sorologia fornece o diagnóstico definitivo de
Ehrlichiose. A fisioterapia pode substituir o uso de corticóides
e diminuir o tempo de recuperação do paciente
através da associação de seções
de eletroterapia, termoterapia, hidroterapia, crioterapia
e cinesioterapia. No caso relatado houve completa melhora
funcional dos membros após o término do tratamento.
INTRODUÇÃO
A erliquiose, atualmente considerada uma zoonose, é uma
doença infecciosa causada por microorganismos da família
Rickttsiaceae comum em cães e extremamente rara em
gatos2. Esses patógenos são intracelulares
obrigatórios, podendo parasitar leucócitos
e plaquetas.
A maioria das espécies causadoras tem
como vetor os carrapatos, com exceção do envenenamento
com salmão. A ehrlichiose canina tem como principal
bioagente a Ehrlichia canis, podendo ter curso agudo ou sub-agudo
a crônico, apresentando sinais clínicos que
resultam principalmente da hiperplasia disseminada do SMF
(sistema fagocitário mononuclear) e das anormalidades
hematológicas. Dessa forma, na fase aguda encontraremos
pirexia, linfoadenopatia generalizada, esplenomegalia, hepatomegalia,
dispnéia, sinais neurológicos, petéquias
e equimoses.
Na fase subclínica, o paciente permanece
assintomático, enquanto que, na fase crônica
pode apresentar perda de peso, palidez de mucosas, dispnéia,
depressão, sangramento espontâneo, linfoadenopatia,
hepatoesplenomegalia, além de alterações
oculares, neurológicas e respiratórias.
Alguns
pacientes podem apresentar poliartrite supurativa devido
a deposição de imunocomplexos (poliartrite
asséptica por hipersensibilidade do tipo III) ou pela
presença do próprio bioagente nas articulações
(poliartrite séptica). Os sinais clínicos são
efusões articulares e sensibilidade, além de
rigidez, intolerância ao exercício e atrofia
muscular.
A ehrlichiose é diagnosticada pela identificação
das mórulas no esfregaço sanguíneo,
porém, a espécie causadora só é determinada
através de imunofluorescência indireta. Nos
casos em que há poliartrite não há sinais
radiográficos patognomônicos de ehrlichiose,
percebendo-se apenas uma poliartrite não erosiva.
Na
citologia do líquido sinovial há presença
de neutrófilos não degenerados como células
primárias, podendo ser identificado mórulas
de Ehrlichia. ewiggi e Ehrlichia equi nos neutrófilos
sinoviais de alguns cães. Para o tratamento de ehrlichiose
o principal fármaco utilizado são as tetraciclinas
(Doxiciclina 5-10mg/Kg por via oral BID).
No caso da poliartrite
secundária pode-se usar associada à Doxiciclina,
corticosteróides como a Prednisona (0,25- 1 mg/Kg).
A fisioterapia aplicada às lesões articulares
consiste em crioterapia, termoterapia, cinesioterapia, hidroterapia
e eletroterapia9.
Em afecções articulares a
crioterapia visa não só a eliminação
da dor como também diminuição da ação
enzimática, enquanto a termoterapia aumenta a elasticidade
do colágeno, expandindo a amplitude do movimento9.
Já a
hidroterapia permite que a articulação
trabalhe sem impacto, o que fortalece os tecidos moles adjacentes à lesão.
Na cinesioterapia são realizados estímulos
propioceptivos que gerarão respostas mais rápidas à estímulos,
sendo que a analgesia será conferida pela eletroterapia.Este
trabalho visa a demonstração da eficácia
da fisioterapia em casos de poliartrite por ehrlichiose.
MATERIAL
E MÉTODOS
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Fêmea
da raça Labrador, 6 meses, apresentou pesquisa
de hematozoário positiva para Ehrlichia spp.,
sendo estabelecido então o protocolo terapêutico
com Doxiciclina 10mg/Kg duas vezes ao dia.
Após
o término do tratamento clínico, debelou-se
a doença, porém, o animal permanecia em
decúbito ventral, sem conseguir permanecer em
estação devido à severa poliartrite
secundária a ehrlichiose. |
| foto: Dr. Max N. Freire |
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Foi
então proposto ao proprietário o tratamento
fisioterapêutico. Foram realizadas seções
de fisioterapia com a freqüência de duas vezes
por semana nas quatro semanas iniciais, seguidas de oito
seções semanais, totalizando 16 seções.
Essas
seções baseavam-se em alongamentos em
cadeias musculares dos membros pélvicos; Cinesioterapia
Ativa Assistida, onde o paciente era colocado em estação,
com apoio de suportes nos membros; Cinesioterapia (o paciente
era submetido a um circuito proprioceptivo, utilizando
pisos diferentes, com a finalidade de melhorar a propriocepção
e coordenação do mesmo); e Eletroterapia
(FES), para fortalecimento do músculo tibial anterior,
devido o paciente encontrar-se incapaz de realizar a dorso-flexão
tíbia-tarsica.
Como os membros pélvicos permaneciam
abduzidos, mesmo em repouso, foi recomendado o uso de uma
ortese, que forçava a adução da articulação
coxo-femoral.
Esta ortese era utilizada duas vezes por
dia em caminhadas de 15 minutos. A hidroterapia coadjuvante
foi
adicionada duas vezes na semana, além da realização
de ENS (Estimulo Neuro Sensorial) nos 4 membros do paciente,
com diferentes tipos de estímulos: macio, duro,
frio e quente.
RESULTADOS
E DISCUSSÕES
Após seis seções o animal já permanecia
em estação e com oito começou a deambular,
porém com deformidade nos membros posteriores, razão
pela qual foi recomendado o uso da ortese.
Após o
término do tratamento fisioterápico o animal
não apresentava nenhuma alteração nas
articulações e se movimentava normalmente.
Com
a utilização apenas de fisioterapia, o
animal demonstrou uma excelente recuperação
da poliartrite, não sendo necessária administração
de corticóides, o que merece destaque já que
alguns pacientes não devem ser submetidos à corticoterapia.
O
uso concomitante de crioterapia, termoterapia, hidroterapia,
eletroterapia e cinesioterapia geraram analgesia, fortalecimento
muscular, aumento da propiocepção, do alongamento
e da amplitude muscular9.
Vale ressaltar que a cooperação
do proprietário é de extrema importância
para o sucesso do tratamento, podendo ser limitador desta
terapia.

foto: Dr. Max N. Freire |
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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Animais 2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001, 1084
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TIZARD, I.R. Imunologia Veterinária. São Paulo:
Rocca, 2002,532p.
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Dr.
Max N. Freire |
CRMV-RJ
5883
Colunista do site GREEPET.
Diretor Vet Physical
Prof. Fisioterapia e Acupuntura Veterinária Universidade
Estácio de Sá
Prof.Fisioterapia Veterinária Vet Physical e
Instituto Bioethicus
Prof. Acupuntura do Instituto Brasileiro de Medicina
Tradicional Chinesa
Pós Graduado em Acupuntura (Academia Brasileira
de Ciências Orientais)
Graduando em Fisioterapia (UNESA) |
*
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Jornais, Newsletters e outros meios de comunicação, desde que a biografia do autor permaneça
intacta e a fonte do artigo seja citada.
Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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