APRENDENDO
COM OS ANIMAIS
Por João
O. Salvador
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| foto:
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Nem
todos os cientistas têm a visão behaviorista
que acredita que os animais, principalmente os cães
sejam, simplesmente, máquinas impessoais de balançar
o rabo, processando estímulos em respostas tão
indiferentes, quanto convertem ração em fezes
e sujam as calçadas. Para Descartes, que fez o homem
senhor e proprietário da natureza, o animal não
passa de um autômato, uma máquina animada.
Assim, quando um animal geme, não é uma queixa, é apenas
o ranger de um mecanismo que funciona mal, igual a roda
de um carro com a pastilha de freio desgastada. O mesmo
que comparar os gemidos de um cachorro dissecado vivo num
laboratório com o ruído de uma peça
mal lubrificada.
O
homem é verdadeiramente bom, puro e livre quando
respeita os que são mais fracos, os animais. Porém
a crença de que herdou sua superioridade por força
do "o poder divino”, produz nele o maior desvio
de conduta. Apesar de escrito no começo do Gênese
que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros,
os peixes e os animais, não se tem a garantia de
que Ele assim o desejasse, ou seja, que a criatura humana
fosse tão distinta das outras. É bem provável
que o homem tenha inventado esse topo da hierarquia, usando-se
de Deus para santificar o poder, conquistando o direito
de matar com requintes de crueldade ou de maltratar os
seres “inferiores” pelo abandono, pelo uso
do sedém e pelo cambão; pela insanidade que
mantém o lixo cultural das touradas ou da farra
do boi; das práticas criminosas dos que vivem do
tráfico de animais silvestres, que para torná-los
calmos, deixam-nos presos, sem água, comida e até sem
ar, num mercado que mescla ganância e crueldade,
a faceta miserável humana; sapos, cobras, lagartos
e outros bichos que viram “carvõezinhos” pelas
queimadas ou incêndios criminosos.
A
visão do Gênese mudaria completamente com
a presença de um visitante de outro planeta, vindo
com a ordem de Deus para reinar sobre as criaturas de todas
as outras estrelas. Já pensaram o homem atrelado à uma
carroça de um marciano reciclador, muitas vezes
sem comer e beber o dia todo? Grelhado no espeto por um
visitante da Via-Láctea, com certeza fá-lo-ia
lembrar da costeleta de vitela que tinha o hábito
de cortar em seu prato ou do leitão à pururuca,
com uma maçã na boca. Correria, com certeza,
pedir desculpas à vaca de Descartes.
Nietzsche, em 1889, quando viu diante de si um cocheiro espancando
um cavalo com um chicote, se aproximou do eqüino abraçou-lhe
o pescoço, e sob o olhar do cocheiro, explodiu em
soluços. Na verdade, Nietzsche estava se distanciando
dos homens, pedindo perdão por Descartes.
Para
entrar no reino encantado do mundo animal é preciso “ler”,
através dos olhos de um cão, um gato ou cavalo,
para verificar que demonstram paz no meio onde muitos se
sentem insatisfeitos e infelizes, autênticos consumidores
de barbitúricos e de diazepans. Basta o convívio
diário com os bichinhos para perceber que possuem
reações inesperadas, pois planejam, enganam
e revelam pensamentos, que vão além do instinto
básico, sugerindo consciência, emoção
e amor, coisas raras nos dias de hoje.
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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