NEM
SÓ DE CÃO VIVE O HOMEM
Por João
O. Salvador
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| foto:
Matheus Hennemann |
O
relacionamento quase que simbiótico, ou de cooperação
mútua entre o homem e seus animais domésticos,
vem tornando-os cada vez mais semelhantes.
A inteligência,
a cultura, vista sempre como privilégio, exclusivamente
da espécie humana, tem sido cada vez mais contestada
por um crescente número de biólogos e veterinários,
que admitem a existência de traços de personalidade,
de cultura e de comportamento bem parecidos em animais
geneticamente mais próximos do homem.
O cão convive com o ser humano há mais de dez
mil anos, e, embora o gato tenha sido domesticado há quatro
ou cinco mil anos, não significa que a diferença
de tempo é determinante no grau de maior afinidade
de um ou de outro com o seu dono. É uma questão,
apenas, de características animal, de comportamento
social e de estilo de vida.
O cão, tido como o maior amigo do homem, é dependente, exige mais
a atenção, dedicação, carinho, mas doa-se, perdoa
e serve por extrema fidelidade e obediência. A expressão pejorativa “vida
de cão”, que significa um estilo de vida difícil de uma pessoa,
pode receber uma conotação ambígua, porque depende do ambiente
em que vive. Alguns são considerados membros de família, outros,
no entanto, são brinquedos, objetos descartáveis.
Mas nem só de cão vive o homem, pois existe o gato, que contrasta
com o “fiel amigo” por medir sua relação com o dono. É mais
esperto, matreiro, mais independente, autêntico, às vezes indiferente,
o que lhe confere, erroneamente, a designação de soberbo, arrogante,
ingrato e, sobretudo misterioso, fortemente associado à crendices absurdas.
Mas mesmo agindo reservadamente, é meigo e carinhoso, amável quando
acariciado.
Presume-se que por agir de maneira discreta, recatada as pessoas
fascinadas por esse felino tenham traços marcantes de personalidade, na
questão de segurança, autoconfiança e de não-submissão.
O gato é higiênico, fazendo de sua língua as cerdas de uma
escova e limpa com assiduidade sua pelagem, mantendo-a sempre impecável.
Obedece às regras da casa, mas dorme aonde gosta. Quando macho, não
castrado, tende a ter uma vida mais solitária vagando por amplas extensões
territoriais, enquanto que a fêmea exibe uma vida mais social, gregária.
Geralmente os cães, quando abandonados, se deprimem, imploram pela atenção
dos transeuntes, e a luta em busca do dono, de água e alimentos, leva-os
a exaustão e acabam sucumbindo. Os bichanos, porém, sobrevivem às ásperas
situações.
Como exímios caçadores, alimentam-se de
pequenas presas quando desabitados. São ágeis, curiosos, cuidadosos,
de olfatos e audição aguçados, tato sensível, com
requintada visão noturna.
Embora dotados de grande agilidade, preferem
as alturas, de onde observa o ambiente com toda segurança e, ao contrário
do cão, quase nada pede a quem não o quer.
Por sua discreta beleza e elegância, os bem-apessoados recebem a sinonímia
carinhosa de gato ou gata, que dignifica a espécie. Já, pela sua
esperteza e ladinice, os larápios são denominados de gatunos, mas
isso não o deprecia, o gato não é otário.
Não importa, enfim, criticar e criar animosidades com os que contestam
os privilégios, as regalias que as duas espécies têm, em
detrimento às crianças pobres. Quem gosta de animais jamais nega
auxílio à uma pessoa carente. Quem detesta, geralmente não
cuida de ninguém, nem de si, de seu próprio espírito.
O mais importante é que esses animais fazem partes de estudos a respeito
da prevenção e cura dos grandes males humanos dos tempos modernos,
somente pela presença e companhia. Com o tempo, o homem passará não
somente a ter gratidão por esses animais, mas, também, a dívida
pela lição de humildade, de desprendimento, de amor incondicional,
e até, quem sabe, deixe de misturar amor e ódio em seu coração.
João
O. Salvador
Biólogo da USP (Universidade de São
Paulo) Colunista do site GREEPET, colaborador do Jornal de
Piracicaba,
Gazeta de Piracicaba e Tribuna Piracicabana
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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