GATOS
TRANSGÊNICOS
Por João
O. Salvador
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| foto:
Katia Vaz |
Os
animais podem deixar belas lições ao homem,
ao oferecer-lhe o exemplo de amor, de amizade, companheirismo
e de fidelidade, desde que, porém, o afeto seja
mútuo. Esta relação interespecífica
traz significantes benefícios na busca humana pela
alegria imediata e de sentimentos positivos. É uma
terapia ou magia curativa, necessária para aliviar
a tristeza de pessoas depressivas, desamparadas e idosas,
e de crianças portadoras de doenças crônicas.
A convivência de crianças com cães ou
gatos pode reduzir a probabilidade de sofrerem de alergias
e da asma, cujo contato permite que seus corpos construam
defesas contra alergênicos, o que se caracteriza, portanto,
brutal incoerência abandoná-los por este motivo.
Agora,
uma empresa norte-americana de biotecnologia, investe em
pesquisa com o propósito de alterar os genes dos
gatos para que os problemas alérgicos nos donos, atribuídos
aos pequenos felinos, sejam resolvidos, com a supressão
de um gene específico que produz a proteína
que se encontra, principalmente, na pele, na saliva e na
urina desses felinos. É o gato antialérgico.
Eu, particularmente,
apesar de entender o desconforto sofrido pelas pessoas
alérgicas, não acredito que se
justifique a produção de gatos geneticamente
modificados, mesmo porque, a partir da descoberta da estrutura
do DNA, por Watson & Crick, a ciência trilhou novos
rumos e os cientistas, de certa forma, vasculham a escuridão
da genômica natural e os genes, em certos casos, são
manipulados e jogados, como bolinhas de sorteio, de acordo
com interesses comerciais. Neste caso, é visível,
notório que, ao invés de ajustar o ambiente
ao animal, busca-se formas de mudar o animal para ajustá-lo
ao ambiente.
Já existem
comprovações científicas
de que algumas espécies animais, depois de longo
período
de domesticação, apresentam, além da
inteligência, da capacidade de abstração,
de raciocínio, têm vontade e iniciativa de comportamento
e, até mesmo, genomas parecidos com o do homem. Certos
cães e gatos já atingiram um grau de evolução
mais elevado, capazes de falarem certos dialetos, que somente
o grau de sensibilidade de seus donos os entendem.
Pelo fato de o homem ser tido como um ser evoluído,
um mutante, talvez, seja por obra da criação
divina, ou pela própria imagem e semelhança
das leis de Darwin, não é surpreendente que
os animais, em contato com um ser racional, adquiram um padrão
de equipamento biológico mais sofisticados.
Com esta
estreita relação, os animais mais
próximos ao homem, com mudanças nos hábitos
alimentares e na mudança comportamental, acabaram
adquirindo doenças crônicas não-transmissíveis,
comuns à espécie humana. Doenças características
de velhice, como câncer, diabetes, osteoporose, cataratas,
deficiências cardíacas, renal, e, por incrível
que pareça, há casos de gatos e cães
neuróticos, psicóticos, irascíveis. É muito
sintomático o fato de cães obesos terem donos
obesos, ou superativos, nervosos.
O
homem apresenta componentes “animalescos” em
sua personalidade e comportamento. Basta observar certas
atitudes imperativas de defesa territorial, de rituais e
de outros componentes de ações nitidamente
instintivas. Tudo que o homem sente esses animais de convívio
também sentem, como emoção, tristeza,
depressão, dor, fome, sede, que se manifestam por
meio de expressões.
Aliás, para dizer a verdade,
os especialistas vêm aprendendo muito com os animais
sobre o comportamento normal e anormal do homem.
Portanto, essa modificação, proposta pela indústria
do dinheiro, pode mudar o curso natural do comportamento
dos felinos domésticos, e, daí, de mudanças
em mudanças se altera todo um processo que a natureza
concedeu e que concebeu, principalmente colocando o homem,
apenas, como um fio particular da teia da vida, mas que ele
não exagere em seus procedimentos, por julgar superior
a todas as espécies, mesmo porque a natureza viveria
muito bem sem a sua intromissão.
João
O. Salvador
Biólogo da USP (Universidade de São
Paulo) Colunista do site GREEPET, colaborador do Jornal de
Piracicaba,
Gazeta de Piracicaba e Tribuna Piracicabana
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br |