Vegetarianismo
e não violência
por Fernanda
Aparecida de Gouvêa Oliveira Paro

foto: Majela |
Alguns temas, por natureza,
geram muita polêmica quando debatidos, quer seja em uma roda de
amigos ou em reuniões sociais formais, estes temas
causam sempre algum tipo de embate, e, o vegetarianismo,
sem dúvida, é um deles.
É
correto afirmar que, quando falamos em hábitos ou
idéias sedimentadas em nossas mentes, a polêmica
torna-se ainda maior, pois, nós humanos, somos incrivelmente
resistentes às mudanças.
Transformações de qualquer tipo nos causam
arrepios e, pior ainda quando essas mudanças podem
alterar radicalmente nossas vidas, modificando nossa aparente
e frágil rotina.
Pois é, o vegetarianismo atualmente vem ganhando força
e adeptos em todo mundo, e o debate acerca deste tema passou
a ter não somente uma conotação alimentar
- apelidada por muitos como “natureba” - mas
também passou a ser mais incisivamente relacionada
com a temática ambiental e da sustentabilidade.
Obviamente que nada disto é novo para aqueles que
já lutam, há muito, pela causa animal e ambiental,
mas, para grande parte da humanidade, que se alimenta de
animais e utiliza um “sem fim” de produtos derivados
de organismos de animais abatidos, isto parece ser novidade,
ou até mesmo alarmismo para alguns.
No entanto, com o avanço da rede virtual de comunicação,
ficou mais acessível encontrar informações
sobre este assunto e também conhecer o lado obscuro
e as atrocidades praticadas pela indústria da carne,
e a triste realidade dos animais que “vivem” somente
para nos alimentar.
Trata-se de uma questão que ultrapassa valores alimentares,
e que envolve princípios éticos, ambientais,
morais e até evolutivos, pois, estamos cada vez mais
conscientes da inter-relação entre todos os
seres vivos, material e espiritualmente.
A resistência às mudanças pode até ser
natural, mas é absolutamente irracional e insustentável
permanecer acomodado e conivente com fatos tão relevantes
e cruéis, gerados pelo consumo de carne animal.
Estamos tecnologicamente avançados e preparados para
extinguir de vez o uso de animais em nossas dietas, evitando
assim, males ao meio ambiente, e, principalmente a nós
mesmos.
É
fato que alimentação carnívora vem sendo
restringida cada vez mais por médicos e estudiosos,
pois está relacionada diretamente à causa de
inúmeras doenças, de comportamentos violentos
e agressivos e da obesidade humana.
Além disso, não seria a violência que
vivenciamos atualmente no planeta mera conseqüência
de nossos hábitos alimentares? Como seremos pacíficos
se, a cada instante - duas ou três vezes por dia -
nos alimentamos da mais pura violência contra nosso
próximo? Não é um paradoxo?
Não lhe parece estranho, pedirmos por paz quando a
paz inclui uns e exclui outros seres, só porque não
são da nossa espécie e por também gostarmos
de mastigar suas carnes e vísceras quase putrefatas?
Mas, ainda sim, continuamos vivendo a maquiar o óbvio,
preferindo o prazer sensorial ao questionamento moral para
mudança de um hábito – eu chamo de vício
- primitivo de se alimentar de dor, violência e mal.
Não é por acaso que enfrentamos uma era violenta,
de inversão de valores e de crises ambientais globais
- estamos sendo cobrados e recebendo exatamente o que disseminamos
pelo planeta: violência, sofrimento e dor.
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Fernanda
Aparecida de Gouvêa Oliveira Paro |
Colunista do site GREEPET.
Bióloga – CRBio 43684/01
Protetora animal independente. Educadora Ambiental.
www.becodosgatosgourmet.blogspot.com |
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Fonte do Artigo: www.greepet.vet.br
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