Vida
de cão, vida de gato
Por João
O. Salvador
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| foto:
Leni Settem |
Nesta
Semana dos Animais há que mencionar o relacionamento
quase que simbiótico, ou de cooperação
mútua entre o homem e seus animais domésticos,
e que vem tornando-os cada vez mais semelhantes. A inteligência,
vista sempre como privilégio exclusivamente da espécie
humana, tem sido cada vez mais contestada por um crescente
número de biólogos e veterinários,
que admitem a existência de traços de personalidade,
de cultura e de comportamento bem parecidos em animais
geneticamente mais próximos do homem.
O
cão convive com o ser humano há mais de
dez mil anos e tido como o maior amigo do homem, mas dependente,
exige mais atenção, dedicação,
carinho e doa-se, perdoa e serve-o por extrema fidelidade
e obediência.
A
expressão pejorativa “vida de cão” significa
um estilo de vida difícil de uma pessoa, porém,
enquanto muitos cães têm vida indigna pelos
maus-tratos, tidos como brinquedos, objetos descartáveis,
indesejáveis quando crescem, envelhecem e adoecem,
há outros considerados membros de família.
Neste caso, o homem é o melhor amigo do cão.
O
gato, porém, não contrasta com o “fiel
amigo” por medir sua relação com o dono. É mais
esperto, matreiro, mais independente, autêntico, às
vezes indiferente, o que lhe confere, erroneamente, a designação
de soberbo, arrogante, ingrato e, sobretudo misterioso, fortemente
associada às crendices absurdas. Mas mesmo agindo
reservadamente, é meigo e carinhoso, amável
quando acariciado. Presume-se que por agir de maneira discreta,
recatada, as pessoas fascinadas por esse felino têm
traços marcantes de personalidade, são mais
seguras, de extrema autoconfiança e não se
submetem.
Este
mamífero é higiênico, fazendo de
sua língua as cerdas de uma escova e limpa com assiduidade
sua pelagem, mantendo-a sempre impecável. Obedece às
regras da casa, mas dorme aonde gosta. Quando macho, não
castrado, tende a ter uma vida mais solitária vagando
por amplas extensões territoriais, enquanto que a
fêmea exibe uma vida mais social, gregária.
Geralmente
os cães abandonados se deprimem e a luta
em busca do dono, de água e alimentos, leva-os a exaustão
e acabam sucumbindo. Os bichanos, porém, sobrevivem às ásperas
situações. Como exímios caçadores,
alimentam-se de pequenas presas quando desabitados; são ágeis,
curiosos, cuidadosos, de olfatos e audição
aguçados, tato sensível, com requintada visão
noturna. Preferem as alturas, de onde observam o ambiente
com toda segurança e, ao contrário do cão,
quase nada pedem a quem não os quer.
Por
sua discreta beleza e elegância, os humanos bem-apessoados
recebem a sinonímia carinhosa de gato ou gata, que
dignifica a espécie de quatro patas. Mas e as cachorras,
as preparadas, as popozudas, o cãozinho farejador?
Não importa, enfim, criticar e criar animosidades
com os contestadores hipócritas de que os animais
têm muito privilégios. Quem gosta de animais
jamais negará auxílio a qualquer ser carente,
enquanto há os que não cuidam nem de si próprio,
de seu espírito.
A
terapia com animais já é uma realidade e,
com o tempo, o homem passará a ter gratidão
por todos eles, pela lição de humildade, de
desprendimento, de amor incondicional, os que não
colocam o ódio em seus corações.
João
O. Salvador
Colunista do site GREEPET, Biólogo do Cena - USP, colaborador do Jornal
de Piracicaba,
Gazeta de Piracicaba e Tribuna Piracicabana
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